Manaus (IV)
Bom, agora está calminho, calminho, aqui no trabalho. Então, mais um dos textos de Manaus. Tenham fé, falta pouco. Enquanto isso, vou reunindo idéias para escrever, quando acabar o revival da minha saga amazônica.
Abs
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Oi, meus amores, 8/9
Como vão as coisas por aí?
Aqui, trabalho, calor e umidade demais. E vontade de ir embora também. Está sendo bacana, mas torço que o restinho de tempo em Manaus passe logo. Nada contra o lugar ou as pessoas, por mais que ambos sejam meio esquisitos. É que não é para mim mesmo.
Passei o sábado e o domingo em um hotel de selva. De Manaus até o Ariaú são duas horas e meia de barco, subindo o rio Negro. A paisagem é linda. Na viagem, vi boto cor-de-rosa (lilás, na verdade, bem viadinho) e boto tucuxi (cinza, feioso, mas igualmente serelepe). Eles ficam dando pinta para os barcos, pulando e se mostrando pra gente.
Primeiro, a gente chega ao impressionante Ariaú Towers. Oito torres erguidas sobre o rio, palafitas chiques no meio da floresta, com quartos superequipados, para gente que pode pagar perto de 500 pratas pelo pacote básico (dois dias, uma noite). Não é para o meu bico.
O hotel em que fiquei, o Terra Verde, é bem mais simples. Mas não ruim. Fica distante mais 40 minutos de barquinho do Ariaú. A estrada, na verdade, são igarapés (braços de rio) e igapós (mata alagada).
São 12 chalés à margem do rio Negro. Andei pela mata por três horas e vi coisas incríveis. Me entupi de peixes regionais – pirarucu, tambaqui, pacu e jaraqui – e me fartei da deliciosa farinha de mandioca daqui. De sobremesa, cajus colhidos no pé.
Nadei no rio Negro, com o sol tostando a moleira. No meio do banho, chegou um barqueiro do hotel e desenvolveu o seguinte diálogo:
- O que é que vocês estão fazendo?
- Tomando banho, ora! Por que?
- Por nada. Os jacarés lá do outro lado da margem devem estar se divertindo com o banho de vocês...
Minha gente, foi um alvoroço, eu e Gerard (marido de Taíza, minha amiga) tentando sair do rio e escorregando nos troncos cheios de lodo. Foi engraçado! Felizmente, os répteis não vieram nadar conosco.
À noite, foi uma galhofa. Júlio, a bicha de dois de altura por dois de largura, dando pinta toda hora por conta dos besouros e demais víveres alados, que existem aos montes. Pra completar, Nêgo, nosso mateiro guia, inventou de dizer que na noite anterior teve onça rondando o hotel. Pronto, o viado quase surta! Depois, voltou gritando do quarto dizendo que tinha rato. Era uma lagartixinha besta, que saiu da toca, assustada com a biba-gigante.
E como se não bastasse, à uma da manhã, caiu um breu incrível no hotel. O gerador de energia pára e nada mais funciona. As pupilas tentam enxergar algo além do clarão da lua na janela. Mas não dá.
E o calor? Praticamente uma sauna! Ninguém dormiu direito. E estão achando muito? Esperem só para ler o martírio imposto pelas carapanãs (mosquito, muriçoca). Elas infernizam a vida do sujeito! E ainda por cima são podólatras! Só picam os pés! Voltei com os meus parecendo peneiras: 11 picadas no esquerdo e 13 no direito. Suspeito que as carapanãs que me picaram são bichas (11+13=...)
Fotos dessa jornada ainda não tenho. Já as revelei, mas falta passar no scanner para eu poder enviar para vocês. Vou ver se faço isso ainda esta semana.
Quando tudo acabar e eu estiver de saída de Manaus, quero ir ao Ariaú (com esquema "de grátis", é lógico!). Tudo do bom e do melhor, passarelas quilométricas na altura da copa das árvores, macaquinhos passeando do seu lado, e turistas, muitos turistas, gringos na maioria, cada um mais lindo do que o outro!
Bom, deixem eu ir, que um comício me espera.
Beijos enormes.
